O QUE É REALIDADE?

Autor: Jairo Henrique     Fonte: Uniblog

LizaEsta constitui uma das mais fundamentais das questões filosóficas. Nos parece, de chofre, tão banal. Mas, não é próprio da filosofia desbanalizar o banal? Conceitos e expressões com as quais lidamos,e nem atentamos muitas vezes para a mensagem subjacente, ou suas propostas!

Foi esta questão que engendrou a especulação filosófica, ou, por que as coisas são como são? Esta é uma mesma maneira de questionar acerca da realidade, ou, acerca do ser das coisas. Os antigos questionavam sobre a realidade circundante, querendo extrair respostas: elaboraram mitos, emitiram parecer que aos nossos olhos, hoje, é estapafúrdio. Platão, por exemplo, acreditava que o mundo aparente, capturado pela sensibilidade, eram “sombras”, ou cópias da realidade, posto que esta realidade estava colocada num mundo por ele denominado de “inteligível”, apenas acessada pelo espírito, e jamais acessada pelos sentidos.

Os medievais tratavam a realidade cristianizando, ora o pensamento platônico, ora o pensamento aristotélico. Acreditavam que por trás deste mundo há o Reino, e este deveria ser o objetivo fundamental de busca e conhecimento. Este mundo fora vazado pelo pecado e pela morte, e toda realidade nele posta é ilusória e fugaz.

“a coisa em si” está fora das possibilidades da razão

Os modernos já questionavam de uma outra maneira, a saber: é possível conhecer a realidade? Se há de fato uma realidade por trás do mundo aparente, é possível que ela seja acessada? Imannuel Kant vai afirmar que pelas vias da razão o máximo que se pode conhecer é o fenômeno, ou, aquilo que os sentidos podem capturar, e que o nômeno, ou “a coisa em si” está fora das possibilidades da razão.

Os contemporâneos abandonaram a forma direta desta questão (o que é a realidade?), como também a forma oblíqua dos modernos (é possível conhecer a realidade?), e a partir do que se denomina de “lingüístic turn”, ou, “virada lingüística”, concluem, grande número destes pensadores contemporâneos, que realidade é comportamento lingüístico. Isto é, realidade é produto da linguagem, do discurso.

Entretanto, esta significa uma ruptura radical com todo projeto metafísico (crê num fundamento à realidade), essencialista (crê numa essência em todas as coisas, subjacente ao aparente), fundacionista (fundamento de toda realidade), tal qual a religião, por exemplo. É uma ruptura com todo dogmatismo, inclusive o dogmatismo científico. Para estes pensadores, realidade se constrói pelo discurso. A realidade é interpretação. Nietzsche já afirmava que não existem fatos, mas interpretações. Vale afirmar que existe uma linha muito tênue que separa realidade, verdade e conhecimento.

verdade é o consenso, é o que funciona, é o que é útil

Nesta perspectiva se constrói o pensamento pragmático. A virada lingüística é a virada pragmática. Tal pragmatismo elabora uma teoria de verdade (realidade, conhecimento), onde verdade é o consenso, é o que funciona, é o que é útil. Esta perspectiva tem vazado todos os movimentos artísticos, culturais, religiosos da contemporaneidade. Não há verdade, mas verdades, com base na conveniência para o viver bem.

Esta tendência no trato da realidade não é nova. Os sofistas, que tanta ênfase punham no discurso, afirmavam que o homem é a medida de todas as coisas, ou seja, as coisas são (realidade) o que o discurso levar a crer que são. Nos idos da democracia grega se impunha quem melhor discursava.

De fato, há um aspecto muito relevante que temos que considerar nesta perspectiva pragmática: muito do que acatamos como “verdade”, ou “realidade” é mero discurso. É necessário que se esteja atento, pois o simples, na sua boa fé, tende a escravizar-se por meio de discursos, que o convence que o que está sendo posto é “a verdade”.

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